
Eu trabalho quase nove horas por dia com gente, cada pessoa com a sua característica física e pessoal. Na sua maioria elas contam a história da vida para simplesmente relatar o porquê do produto adquirido não estar funcionando direito, ou para dizer que o cheque voltou (essas são as histórias mais longas). Nós vendedores somos quase psicólogos, escutamos, concordamos (se discordar o papo vai mais longe), e apoiamos, nos solidarizamos, e sempre sabemos involuntariamente o que acontece a nossa volta. Mas sempre acontece algo inusitado.
_Bom dia!
_Bom dia como vai a sua tia, embaixo da pia chupando melancia!
_ Espero que ela esteja bem.
Quem disse que ele é engraçado a cada frase para a venda do produto, o cliente responde com uma rima.
_ Oi fulana, como vai, faz tempo que você não aparece por aqui.
_ E faz tempo mesmo, porque da última vez você estava mais magra. Isso ai é um cabelo branco?
Dou aquele sorrisinho amarelo, e o que posso te ajudar e segue-se a compra.
Sempre vem aqui uma senhora ela tem 57 anos e é solteira, mas não desistiu de achar o amor, ela freqüenta os bailes da terceira idade, esta fazendo a oitava série, faz curso de pintura, bordado, trabalha fora, ela é uma graça toda vez que recebe uma cantada ela vem me contar sabe com aquele jeitinho simples e os olhinhos brilhando, agora ela esta paquerando e conhecendo um senhor de 60 anos, ele já até pediu beijinho, mas ela só pegou na mão.
Tem a turminha do fiado, eu não sei por que nas cidades pequenas todo mundo acha que você é obrigada a vender fiado, mesmo sabendo que você tem ordens de não o fazer, você nega uma vez, a pessoa reclama, você nega duas, ela tira o dinheiro do bolso e paga a vista só pra te provar que não precisa de favores, vai entender.
O pessoal esotérico que tira as fotos contra o sol, contra a lâmpada e cisma que são seres de outro planeta, seres iluminados, nossa umas teorias malucas sobre o tempo, sobre crianças, e ouvimos atentamente, vai que ela resolve explicar tudo de novo.
È incrível como as pessoas simples na sua maioria analfabetas que vem da zona rural uma vez por mês para receber os programas sociais do governo e aposentadoria, a honestidade, se ficar te devendo R$1.00 mês que vem ele te paga, tem coisa que já nem lembro, combinado é combinado e acabou. Agora em contra partida quanto mais tem mais sovina é, uma coisa é pedir desconto outra bem diferente é por preço no produto, um fazendeiro aqui da região já peguei o jeito dele se o produto custa R$18.00 eu peço R$20.00, ele pede desconto faço pelos R$18.00, ele coloca R$15.00 no balcão e vai embora satisfeito porque pagou o que queria, eu mais alegre ainda porque era o preço com o desconto. A vida tem dessas coisas não chega a ser uma trapaça, é o “jeitinho brasileiro”.
Ontem veio um rapaz que faz um trabalho voluntário lindo ele com mais cinco pessoas começaram com três crianças depois de quatro meses já auxiliam trinta crianças com apoio psicológico, pedagógico, cidadania, ecologia e musica. As crianças não são carentes somente de recursos básico mas de atenção, teve uma menina de 5 anos que o adotou como pai, uma menina de 13 anos esta grávida de oito mês do padrasto, uma criança abusada pelo avó, são guerras aonde as crianças não possuem armas para se defenderem. A menina de 13 anos, o juiz deu uma liminar para o aborto ela recusou, e escreveu uma linda redação sobre a família, as brincadeiras com os irmãos menores e se considera feliz.
Esta câmera fotográfica tem oitenta anos foi trazida da Alemanha por uma família refugiada, pertenceu ao pai de um cliente, usa filme
E assim se passa nove horas do meu dia, de segunda a sábado.





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