Marcondes] [http://marcondes.blog.terra.com.br/] Conheci Rondonópolis há muitos anos, ficava no trajeto entre Campo Grande e Cuiabá. Lembro que era uma cidade pequena, pacata e muito quente. Nunca mais fui para lá e raramente se ouve falar dela. Um amigo que mora em Dourados me comentou que o progresso chegou lá, cresceu muito de certa forma isso embaça um pouco a aberração desse episódio em que um menino perdeu a vida. Penso assim, por que o junto no mesmo pacote do bendito progresso vem o maldito progresso e com ele suas mazelas, suas barbáries e o impiedoso rescaldo de suas tristezas. Que saudades das “inúmeras Rondonópolis” que conheci, pequenas, muito quentes e sobretudo pacatas e que não já quase não existem mais.
Resolvi escrever este post, depois de ler o comentário do Marcondes, sobre o incidente (acidente) em Rondonópolis, nós somos em 18.000 pessoas contando com a zona rural, e acontece tantos absurdos por aqui que vou narrar alguns.
A prostituição infantil, aqui é uma coisa visível, as autoridades sabem e fecham os olhos, uma menina sumiu, uma senhora cliente minha que me contou, ela procurou a policia, eles fizeram uma ronda e não deu em nada, esta senhora procurou as amigas da menina, estapeou uma, até ela dizer onde a moça estava, acharam ela em um quartinho presa com três rapazes, a dois dias sem comida e já tinha sofrido todo o tipo de abuso, ela tem somente 14 anos. Ninguém foi preso.
Gravidez na adolescência aqui virou moda, você passa na frente da escola, são crianças carregando outra, a juventude aqui não tem nenhuma perspectiva de vida, não temos empregos, o acesso as drogas é uma coisa muito simples, é mais fácil comprar maconha e cocaína do que pegar água na bica.
Um policial foi morto pelo companheiro em uma perseguição policial, o policial que estava no banco de trás mirou e o que estava na banco da frente saiu e foi acertado na nuca, o caso foi abafado.
Um ex- padre e ex-prefeito de uma outra cidadezinha próximo daqui, foi preso por dirigir embriagado, e estar armado, entrou na justiça por abuso por parte da policia, (brincadeira né).
Somos uma cidade formada por famílias da região e os paus rodados (gente de fora), na época de campanha cada família apóia um candidato e quase se matam entre si, o que ganha acaba se juntando com todos, para repartir “o pão”, a prefeitura é um cabide de empregos, por exemplo o hospital tem uma verba mensal em repasses de R$35.000 só a folha de pagamento gira em torno de R$65.000, (só falta colocar o nariz vermelho no cidadão e mandar virar cambalhota).
O índice de furto a residências aqui é alto, inclusive eu já fui assaltada a mão armada, o Banco do Brasil recebe visitas a cada três meses. E ninguém é preso, esta virando rotina, a maioria dos comércios já receberam estas visitas indesejáveis, alguns mais de uma vez.
Temos um lugar tombado pela política local é um pé de manga na praça da cidade, no sábado dia de feira se junta a cambada toda , prefeito e vereadores aliados e os famosos puxa-sacos (buscando as migalhas caída da mesa)eu tenho uma vista privilegiada (ou amaldiçoada) de onde eu trabalho, se aquele pé de manga falasse faria um bem a população, na verdade eu não sei como ele não morreu ainda (haja abobrinha).
A falcatrua ocorre na Câmara de Vereadores todos os presidentes compraram o cargo, inclusive um vereador estava preso até uns dias atrás, (ele era carcereiro da delegacia e soltou um criminoso de alta periculosidade ele retalhou a ex-mulher, no padrão do Jorge Farah), e não virou nada na justiça acho que teve imunidade parlamentar. A ultima piada parlamentar foi um jornalzinho que saiu mostrando o índice de rejeição do prefeito 40,3%, um servidor publico disse: _ Então melhorou, na campanha ele tinha 65% (eu me pergunto como ele se elegeu?) você já imagina a resposta, e é esta mesmo compra de votos principalmente na zona rural onde o analfabetismo é quase total.
As cidadezinhas pacatas acabaram, e cada um por si e ninguém por nós.
Que país é este?






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