
Aos meus filhos.
Há uns dias atrás eu li que devíamos escrever uma carta a cada aniversário de nossos filhos e entregar quando eles completassem vinte e um anos, como do primogênito já se passaram cinco anos e do caçula um ano, resolvi escrever esta carta no dia das mães em um ano que não exerci este papel fundamental na vida de toda criança, fui ausente na maioria dos dias, tentei dar o melhor de mim aos domingos, esqueci meu filho duas vezes na escola, e de comprar leite de soja para a mamadeira noturna do pequeno.
Acho que nunca me senti tão mal como neste dia das mães que esta chegando, e sei que não conseguirei reduzir minhas nove horas diárias de trabalho, pelos menos nestes quarenta e cinco messes para a quitação da nossa casa, o nosso sonho de consumo com um quintal amplo, sei que o avo paterno ira fazer uma horta, acho que não vou ver vocês todos melecados de lama e felizes por estarem construindo algo com suas mãos, ou correndo com o cachorro, subindo em arvores, assim como não vi os primeiros passos do Gabriel, nem a primeira palavra, nem quando o Alexandre leu sua primeira frase, fatos que nunca mais voltaram e que acompanhei por telefone, e que chorei de emoção mesmo que ninguém tenha visto ou ouvido, e me senti culpada e frustrada.
A única coisa que gostaria de ter certeza é a de vocês crescidos e cheios de vidas e não rebeldes pela falta de tempo dos pais, não sei se terei coragem de lhes entregar esta carta. Mas eu gostaria que soubessem que estou dando o melhor de mim, assim como os meus pais devem da sua maneira ter feito por mim, e como vocês um dia farão.
Dizem que para se amar não há distancia, nem tempo e o amor de mãe é incondicional, por isso agradeço aos meus pais por terem dado o seu melhor e meus filhos saibam que estou fazendo o possível para isso também e que penso em vocês em todos os meus momentos vagos, ou quando corro os olhos pela minha mesa e vejo a foto de vocês sorrindo para mim, e me sinto viva quando contemplo seus rostos adormecidos.






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